AURORA
12 Outubro, 2008
A capinha traz uma ostentosa citação de François Truffaut, que declara ser este o filme mais belo do mundo. Não tem como negar. AURORA (SUNRISE – A SONG OF TWO HUMANS, EUA, 1927, Versátil) é uma obra-prima absoluta, um dos filmes mais lindos já realizados. Marcou a estréia nos EUA do alemão F.W. Murnau, realizador de marcos das diversas fases do expressionismo como NOSFERATU, A ÚLTIMA GARGALHADA e FAUSTO. É impressionante o supremo domínio técnico de Murnau, sempre, porém, em favor da criação de um mundo entre o onírico e o real, entre a noite e o dia. Murnau utiliza todos os elementos cinematográficos disponíveis na época (foi o filme mais caro realizado pela Fox até então), de efeitos visuais sofisticadíssimos a movimentos de câmera e iluminação elaborados, e até mesmo o então incipiente som cinematográfico. AURORA foi dos primeiros filmes sonoros da história, sendo a sonoplastia aqui utilizada para dar lastro à atmosfera. Para os diálogos, Murnau lançou mão dos intertítulos comuns no cinema mudo, com exceção de uma breve cena, quando a mocinha está no meio de cruzamento e se ouvem algumas frases ditas pelos motoristas que ali transitam. O casal protagonista também é de primeira. George O’Brien (que faria SANGUE DE HERÓI e LEGIÃO INVENCÍVEL para John Ford) transborda masculinidade e transita com precisão entre o desejo, a afeição e o remorso, no papel de um homem do campo se envolve com mulher da cidade grande, que o convence a assassinar sua esposa. Mas quem brilha mesmo é a maravilhosa Janet Gaynor, a protagonista da primeira versão de NASCE UMA ESTRELA, no papel da doce e dedicada companheira (os personagens não têm nome). Murnau morreria de acidente de carro alguns anos depois, aos 43 anos, dando fim prematuramente a uma carreira marcante. Vencedor de 3 Oscars na primeira premiação da Academia, incluindo o de melhor atriz para Gaynor. Ótima edição, com imagem restaurada, trailer e cenas alternativas (como aquela com o famoso plano seqüência que mostra a caminhada da amante, sem os cortes da versão final). Imprescindível.