HOMEM-ARANHA: A TRILOGIA

10 Outubro, 2008

Os filmes em si não são novidade, os DVDs também não. Entretanto, a iniciativa da Sony de agrupar os três filmes da série HOMEM-ARANHA em uma só caixa serve como um bom presente de Dia das Crianças, já que o preço é bem em conta, ou para atender aqueles que não são lá muito fãs de extras. Afinal, foram incluídos no box apenas os primeiros discos – aqueles com os filme e alguns atrativos – das edições duplas disponibilizadas anteriormente, deixando os respectivos discos de extras principais de fora. Os filmes vêm em luvas slim, aquelas mais fininhas, que cabem melhor em prateleiras lotadas.

De resto, são exatamente as mesmas edições, para o bem e para o mal. Para o mal porque logo o primeiro filme, HOMEM-ARANHA (SPIDER-MAN, EUA, 2002), traz a mesma versão em tela cheia presente na primeira edição do filme no Brasil (porque não colocaram a versão em Superbit?), que deforma os enquadramentos originais elaborados pelo diretor Sam Raimi e que remetem aos quadrinhos de onde saíram as histórias do herói. Os demais episódios não tiveram o mesmo azar, e contam com seus formatos de tela devidamente preservados. Tirando isso, o filme continua divertido, com o mesmo frescor da estréia. É uma história de origem, algo que sempre tem um apelo especial ao público, que se identifica com a trajetória de um sujeito comum que se descobre extraordinário. No caso, o tímido Peter Parker (Tobey Maguire, perfeito), um geek típico, daqueles que ama de longe a menina mais bonita da classe, mas que trava completamente quando tem de trocar duas palavras com ela. A vida de Parker começa a mudar quando este é picado por uma aranha geneticamente modificada e descobre que ganhou poderes de natureza aracnídea como subir pelas paredes, dar saltos imensos, carregar até dez vezes seu peso e, mais impressionante, fabricar a própria teia.

Ter poderes sobrehumanos pode ser o sonho de qualquer adolescente, principalmente daqueles que são preteridos nos times de futebol, mas o problema é que com grandes poderes vêm também grandes responsabilidades. Ou seja, nada de usar os dons em proveito próprio. É o que Parker, agora travestido em Homem-Aranha, vai descobrir às duras penas ao longo desta primeira leva de filmes do herói (duas novas aventuras, também com Raimi e Maguire, já estão em pré-produção). Começando pelo assassinato do tio Ben (o veterano Cliff Robertson), causado em grande parte por um descuido deliberado do herói. A culpa resultante é o que impedirá que o Homem-Aranha se deixe corromper pelos poderes, um tema que ganha contornos mais explícitos no terceiro (e inferior) filme.

Nesta aventura inicial, a seqüência de eventos que leva à descoberta dos poderes é o grande momento do roteiro. É quando Raimi é mais bem sucedido ao capturar o deslumbramento que é ter um evento extraordinário mudando uma vida pacata. De resto, o filme cai no lugar comum do mocinho contra o vilão, um apagado Duende Verde (Willem Dafoe), que já prenunciam o calcanhar de Aquiles da série. As cenas de ação, progressivamente mais grandiosas a cada filme, nunca chegam a emocionar de verdade, por se aproximarem em sua concepção mais do universo dos games e da animação. Não é sempre que o uso extenso de efeitos digitais é combinado de forma satisfatória com os elementos dramáticos, algo que afasta demasiadamente o espectador do aspecto humano dos personagens. Outro problema que eu tenho com a série é que esta privilegia o melodrama em detrimento do aspecto boa-praça do personagem. O Aranha dos quadrinhos, mesmo sofrendo os maiores revezes, sempre mantém o bom humor, contando piadinhas infames enquanto esmurra os vilões, que não sabem se sofrem mais com a pancadaria ou com o senso de humor do herói.

Da trilogia, o episódio que melhor equilibra a ação, os efeitos, o humor e o melodrama é HOMEM-ARANHA 2 (SPIDER-MAN 2, EUA, 2004), que coloca o Aranha contra o Dr. Octopus (Alfred Molina). É onde Sam Raimi parece mais à vontade, talvez pela trajetória do vilão se assemelhar aos dos monstros trágicos do cinema que o diretor tanto adora, monstros que apesar das aparências eram mais tristes que maus de verdade. Esta edição traz a versão exibida no cinema e não aquela estendida, que também foi disponibilizada em DVD como HOMEM-ARANHA 2.1.

Em HOMEM-ARANHA 3, a receita parece desandar. O excesso comanda a empreitada, que não sabe muito bem pra onde quer ir, e que quando vai, acaba por comprometer a cumplicidade do espectador. Excesso de trama, de drama, de humor, de ação, de vilões (o Venom é completamente dispensável)… Ainda assim, é um blockbuster que se serve de idéias, e que se conecta tematicamente com os filmes anteriores, algo raro na produção megalomaníaca dos grandes estúdios.

De qualquer forma, os fãs de verdade da série já devem ter todos os DVDs lançados até agora e, quem sabe, até mesmo as versões em Blu-ray, o que torna esta caixa algo redundante. Mas vai que você tem algum sobrinho bacana para presentear?

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