SANTA BAT-FONOAUDIOLOGIA!
20 Agosto, 2008
Quando meu sobrinho saiu de O CAVALEIRO DAS TREVAS, completamente extasiado com o filme, ele só tinha uma dúvida: “Porque o Batman tá falando daquele jeito, tio?”. “É pra disfarçar sua verdadeira voz, já que é uma figura pública”, expliquei. Algo aparentemente óbvio, mas nem por isso torna essa gozação menos engraçada.
DEXTER: 1ª TEMPORADA
20 Agosto, 2008
De onde vem o fascínio por histórias de assassinos seriais? Este é um assunto para várias teses sociológicas, mas se sabe pelo menos que foi através do cinema que estes criminosos insanos conquistaram a admiração do público pelos seus métodos nada convencionais de matar. A fama de primeiro serial killer do cinema coube ao assassino de crianças vivido por Peter Lorre em M - O VAMPIRO DE DUSSELDÖRF (1931) de Fritz Lang. Lorre fazia de seu personagem uma figura patética, dominado por uma compulsão incontrolável, que se manifestava através de um assobio. Mas a figura só se popularizaria de fato com o sucesso de Norman Bates (Anthony Perkins) em PSICOSE. O filme de Hitchcock trazia Norman como um sujeito que vivia à sombra da mãe castradora em um motel de beira de estrada. Hoje todo mundo conhece a trama, mas na época o final-surpresa virou sensação. Hitchcock inclusive proibia que entrassem no cinema após o início da sessão. A partir daí, o cinema sempre retornava ao tema, tanto em abordagens expressionistas (VESTIDA PARA MATAR, de Brian De Palma, SEVEN de David Fincher) quanto em tratamentos sobrenaturais (as séries SEXTA-FEIRA 13 e A HORA DO PESADELO) ou mais naturalistas (O HOMEM QUE ODIAVA AS MULHERES, de Richard Fleischer, e o recente ZODÍACO, também de Fincher). Em todos estes, a figura do assassino serial era a ameaça que deveria ser contida por heróis bem-intencionados. Mas um filme tirou a pecha de vilão do criminoso. O SILÊNCIO DOS INOCENTES consagrou perante público e crítica o canibal Hannibal Lecter, alçando-o a verdadeiro anti-herói de uma saga que se estenderia por outros filmes inferiores. Lecter deixou o público estupefato exatamente por fazê-lo torcer por uma figura asquerosa, ainda que de modos refinados e inteligência fora do comum. O ex-psiquiatra que costumava se deliciar com o fígado de seus pacientes “acompanhados de um bom Chianti” rapidamente se inseriu na cultura pop, gerando diversos imitadores (que na linguagem policial do gênero, são chamados de copycat).
O mais bem sucedido deles, e ao mesmo tempo aquele que faz o público se sentir mais doente por admirá-lo, é Dexter Morgan, o protagonista da série DEXTER, cuja primeira temporada aporta por aqui em DVD pela Paramount. Dexter é um legista da polícia de Miami, especialista no comportamento criminoso em relação ao sangue e às evidências deixadas no local dos crimes. Dexter sabe tanto do assunto porque é, ele mesmo, um assassino serial. O diferencial, e o que torna um “herói”, é que ele dedica seus impulsos criminosos a eliminar outros assassinos, aqueles que a lei não consegue enquadrar. Os realizadores contam ainda com outro recurso para “livrar a cara” do protagonista: os episódios são narrados pelo próprio Dexter, através de uma narração em off que decifra os verdadeiros sentimentos escondidos por trás das feições simpáticas do ator Michael C. Hall. E é Hall a grande razão de ser do sucesso da série. Conhecido como o irmão gay de A SETE PALMOS, Michael C. Hall dota Dexter de tal sutileza, alternando com grande habilidade o jeito boa praça e o olhar incisivo de um predador humano. Hall nunca deixa o público esquecer que, por mais que ele seja o “herói” da série (e que suas vítimas realmente mereçam morrer), é também um monstro em pele de cordeiro. Algo que esconde de todos a seu redor, inclusive da sua irmã de criação, a detetive Debra (interpretada com contagiante charme juvenil por Jennifer Carpenter, de O EXORCISMO DE EMILY ROSE) e da namorada Rita (Julie Benz, de RAMBO IV). Ao longo desta primeira temporada, Dexter se vê às voltas com outro assassino serial, o “matador do caminhão frigorífico”, que conhece a verdadeira natureza do protagonista e o desafiará ao longo da trama. Que começa de forma intrigante, mas peca por tomar o caminho convencional perto do final, com reviravoltas não tão surpreendentes como gostariam os realizadores. Os extras que acompanham esta edição em quatro discos (com os 12 episódios da primeira temporada) abordam mais o trabalho de peritos criminais na vida real que a produção da série em si, abordada apenas no comentário em áudio do capítulo final (sem legendas). Mesmo assim, DEXTER mexe com competência com este fascínio do público por personagens tão imorais, que prometem mortes mais singulares e grandiosas que as que são reservadas para a maior parte da humanidade.
O BLU-RAY NOSSO DE CADA DIA
20 Agosto, 2008
Apesar de não ter ainda nem data prevista, o Blu-ray de O INCRÍVEL HULK já começa a mostrar alguns atrativos, como a funcionalidade BD-Live e embalagem limitada especial apelidada de “Green-ray” e você consegue imaginar o porquê. Bom que a Universal também está lançando o HULK de Ang Lee no formato e já deixei claro aqui o quanto sou louco pelo filme, uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema (pelo menos na minha opinião e na da mãe do Ang Lee, provavelmente). HULK, que sai em 16 de setembro, contará com os mesmos extras do DVD e do HD-DVD, além de áudio DTS-HD MA.
Chame-me de pervertido, mas não perco um filme de Tinto Brass, o cineasta libertário por excelência. Dele, não sou tão fã de CALIGULA, provavelmente devido às interferências do produtor (e dono da PENTHOUSE MAGAZINE) Bob Guccione. Como se sabe, Guccione achou que a montagem de Brass não era apimentada o bastante e inseriu por conta própria cenas de sexo explícito ao épico, o que provocou a fúria de Brass, que rejeita o filme. CALIGULA: THE IMPERIAL EDITION, que a Image promete para 4 de novembro, trará dois discos dedicados ao filme e aos extras, estes talvez até mais interessantes que o longa. Não que este seja desprezível. Afinal, os valores de produção, o roteiro de Gore Vidal e a presença no elenco de Malcolm McDowell, John Gielgud (que não queria ser creditado), Peter O’Toole e Helen Mirren já são motivos mais do que suficientes para conferir o filme. Que tem ainda vários momentos marcantes e sapecas, como o ménage à trois entre Caligula (McDowell), sua irmã Drusilla (Teresa Ann Savoy) e a esposa Caesonia (Mirren). Uma curiosidade: antes de contratar Brass, Guccione sondou John Huston e Lina Wertmüller para a direção.
Em uma entrevista para a HOME MEDIA MAGAZINE, Rob Cohen garantiu que o Blu-ray de A MÚMIA - TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO terá imagem e áudio superior ao que se viu no cinema. Caso este garantisse que tudo mais também ficaria melhor em BD, eu até topava encarar de novo.
A MGM promete sessão dupla de terror setentista em 7 de outubro, com o lançamento de CARRIE, A ESTRANHA e HORROR EM AMITYVILLE. Ambos virão em BD-25 utilizando codec 1080p AVC e áudio 5.1 DTS-HD Master Audio, o que provavelmente farão os filmes soarem melhor do que nunca, mas os extras foram completamente excluídos, como a MGM tem feito com seus títulos no formato.
A LISTA DE DESEJOS DO KAS
JABBERWOCKY - UM HERÓI POR ACASO (1977) de Terry Gilliam. Este foi o primeiro longa solo do cineasta, produzido enquanto ainda estava no Monty Python, e já mostra o fascínio de Gilliam pelas lendas e o imaginário da Idade Média. Imagine uma caçada a um dragão, o Jabberwocky do título, só que feita com toda a irreverência de Gilliam. Agora imagine um BD com a mesma qualidade de restauração e transferência do de A VIDA DE BRIAN e pronto! Já é titulo garantido na minha lista de desejos!
HUDSON HAWK - O FALCÃO ESTÁ À SOLTA: EDIÇÃO DE 15º ANIVERSÁRIO
19 Agosto, 2008
Grande fracasso de público e crítica (que esperavam por um novo DURO DE MATAR) na época de seu lançamento, este projeto pessoal do astro Bruce Willis adquiriu fama de cult com o passar dos anos ganhando cada vez mais admiradores (pelo menos é o que se imagina vendo uma edição comemorativa como esta) com seu estilo anárquico. Realmente, é à frente de seu tempo, antecipando as produções malucas e auto-referentes que surgiriam no final da década de 90. Imagino que numa realidade pós-AUSTIN POWERS as coisas seriam bem diferentes. HUDSON HAWK (EUA, 1991) é uma carinhosa homenagem aos sofisticados filmes de roubo na linha de LADRÃO DE CASACA, com locações na Europa, só que acrescida do humor alucinado das animações da Warner (como Pernalonga e Patolino) e dos filmes musicais dos anos 50. Toda esta salada, que causou estranhamento na época, só contribuiu para que o filme permanecesse atual 15 anos após seu lançamento. Willis, autor também do argumento (criado quando ainda trabalhava como garçom) e de algumas canções, faz o ex-ladrão boa praça que é forçado a voltar à vida do crime para roubar uma famosa peça criada pelo próprio Leonardo Da Vinci de dentro do Vaticano. Conhece então uma dublê de freira e espiã (Andie MacDowell), que serve como interesse romântico para o herói, e o perigoso casal de vilões milionários, vividos com deliciosa insanidade por Grant e Bernhard. O diretor Michael Lehmann, revelado no cult de humor negro ATRAÇÃO MORTAL (HEATHERS), não fez a boa carreira que prometia, devido principalmente ao fracasso comercial desta sua primeira superprodução. Boa edição especial de aniversário, com comentários em áudio do diretor, uma divertida entrevista com Sarah Bernhard, outra com Willis e o compositor, co-argumentista e produtor executivo Robert Kraft (que falam sobre a gênese do projeto, quando ambos trabalhavam em um bar), cenas excluídas e videoclipe (o único extra sem legenda).
ROMA: 1ª TEMPORADA
19 Agosto, 2008
Na Roma de 52 A.C., o general Caio Júlio César (o ótimo Ciarán Hinds, de MUNIQUE) derruba do poder os senadores que compõem a república, assumindo o trono de ditador. Ambiciosa co-produção entre a HBO e a BBC cancelada após a segunda temporada devido aos altos custos, os maiores da TV mundial, causados principalmente pela desvalorização do dólar. Bem recebida pela crítica, enfrentou certa resistência devido à alta carga de violência e sexo (nudez frontal, tanto feminina quanto masculina, é comum nos episódios), que causou polêmica na América puritana. É realmente uma pena que a série tenha sido interrompida, já que é também das melhores produções a surgir na TV nos últimos anos, que foram particularmente prolíficos. A trama aborda a transição da Roma Antiga de uma república para um império, com a ascensão de Júlio César ao poder. Dito assim fica fácil estabelecer uma relação com a América de George W. Bush. Mas a série não se resume a uma metáfora da política internacional atual. Intrigas de bastidores, alianças inusitadas, batalhas e romances ardentes fazem parte da receita de cada um dos doze episódios que compõem essa primeira fase. Parte desse mérito cabe aos cineastas Michael Apted (consultor de produção e diretor dos três primeiros episódios) e John Milius (co-criador e co-produtor). Apted é um aclamado documentarista, além de realizador de sucessos como NAS MONTANHAS DOS GORILAS, NELL e 007 - O MUNDO NÃO É O BASTANTE. Já Milius é mais familiarizado com o universo abordado. Ex-colega de turma de George Lucas, ele é autor de épicos como CONAN, O BÁRBARO e O VENTO E O LEÃO, além do roteiro de APOCALIPSE NOW. Além dos dois, um time de diretores e roteiristas do primeiro time televisivo são os responsáveis por injetar ritmo e humor bem contemporâneo sem menosprezar a inteligência do espectador. Filmado nos lendários estúdios da Cinecittá, em Roma, com excelente elenco prioritariamente britânico, ROMA (ROME: THE COMPLETE FIRST SEASON, EUA/Inglaterra/Itália, 2005) é um espetáculo de primeira, cujo sangrento encerramento desta primeira temporada só torna mais dura a espera pelas próximas aventuras. Felizmente, a segunda temporada mantém o excepcional nível. Edição tecnicamente impecável, com ótimos extras espalhados pelos seis discos, todos legendados (exceto os comentários em áudio e os de texto, que acompanham os episódios). As atrações principais se encontram no sexto disco: um making of convencional esmiuçando a empreitada de reconstituir Roma e outro, mais interessante, sobre a veracidade histórica dos fatos apresentados. Observe que esta coleção pode ser adquirida, dependendo da loja, em duas embalagens diferentes: uma normal em papelão e outra mais luxuosa, em madeira, ambas com o mesmo preço. Opte pela segunda, bem mais bonita e durável.
A NÉVOA
19 Agosto, 2008
Uma comunidade litorânea é envolvida por uma estranha névoa, que traz morte e destruição. A origem pode estar em segredos do passado dos moradores. Refilmagem de THE FOG - A BRUMA ASSASSINA, de John Carpenter, produzida pelo próprio, que pelo menos assume nas entrevistas que acompanham essa edição o interesse caça-níqueis da empreitada. Só isso justifica a equivocada escalação do elenco, formada por rostinhos bonitos e inexpressivos da TV americana, como Tom Welling (o Clark Kent de SMALLVILLE) e Maggie Grace (LOST). Mas o pior é a falta de sutileza do diretor Rupert Wainwright, de STIGMATA, que compromete toda a atmosfera de contos de fantasma presente no original. Este estava longe de ser um filme perfeito, mas exalava clima e uma real sensação de perigo, marcas do talentoso Carpenter, que o transformou num cult maldito. Meu inclusive, já que é dos meus filmes favoritos do diretor. A NÉVOA (THE FOG, EUA, 2005) anula todas essas qualidades com um roteiro ridículo e uma direção sem o menor senso de narrativa, que abusa da facilidade dos efeitos digitais. A edição, por sua vez, é de bom nível, com comentários em áudio de Wainwright, onde o diretor comenta sobre os aspectos técnicos da realização; cenas excluídas, trailers de outras produções e três especiais, que compõem um satisfatório making of, graças principalmente à franqueza de Carpenter com relação à produção e ao cinema de horror em geral. Extras legendados, com exceção dos trailers.
IMPULSIVIDADE
18 Agosto, 2008
Sensível estréia do roteirista e diretor Mike Mills, que conduz com segurança a trama e seu bom elenco (extrai a que é, talvez, a melhor interpretação do normalmente canastra Keanu Reeves). IMPULSIVIDADE (THUMBSUCKER, EUA, 2005) trata de um jovem (Lou Pucci) que lida com as inseguranças da adolescência chupando o dedo, vício que faz de tudo para largar. É dos bons trabalhos recentes a lidar com a ansiedade da adolescência (outros são VIRGENS SUICIDAS e A LULA E A BALEIA) sem subestimar seu protagonista e nem os outros membros da família. O irmão mais novo, por exemplo, tem uma cena comovente quase ao final. Ótima trilha sonora e participações de Vincent D’Onofrio, Tilda Swinton, Benjamin Bratt e Vince Vaughn no elenco de apoio. Inédito nos cinemas brasileiros, ganha boa edição que peca pela falta de legendas nos extras, que são de qualidade: comentários em áudio do diretor; entrevista com o diretor e o autor do livro que deu origem ao filme Walter Kirn; cenas de bastidores e, para DVD-Rom, o blog do diretor.
OS SEUS, OS MEUS E OS NOSSOS
18 Agosto, 2008
Almirante da guarda costeira americana, pai viúvo de oito filhos, se casa com hiponga que por sua vez é mãe natural de quatro e adotiva de seis. A confusão está então instaurada quando todos mudam para o mesmo teto. Refilmagem do filme homônimo de 1968, realizada para aproveitar o sucesso de outra produção semelhante, a comédia DOZE É DEMAIS, com Steve Martin. Aqui, Dennis Quaid passa pelos momentos mais constrangedores de sua carreira ao repetir o papel que foi de Henry Fonda no filme original. Apesar de contar com todas as trapalhadas e confusões típicas dos filmes infantis pós-ESQUECERAM DE MIM, o foco é no romance entre Quaid e Rene Russo, com os baixinhos ficando em segundo plano. Dirigido pelo medíocre Raja Gosnell (SCOOBY-DOO, ESQUECERAM DE MIM 3), OS SEUS, OS MEUS E OS NOSSOS (YOURS, MINE & OURS, EUA, 2005) é melhor do que aparenta, e pode divertir a criançada. Boa edição, conta com comentários em áudio (não legendados) do diretor; duas cenas excluídas com comentários do diretor; cenas de bastidores captadas pelos atores mirins; dois trailers e cinco especiais (um sobre as diferenças entre o novo roteiro e o do filme original, dois outros sobre a escalação do elenco infantil, um making of tradicional, um sobre o apoio da guarda costeira à produção e, por fim, conselhos do elenco para atores iniciantes).
MALA CHEIA
18 Agosto, 2008
É ou não é pra se invejar? Daqui a pouco o Gelogurte aporta em Guarulhos vindo dos EUA com duas malas cheias de DVDs e BDs. Estou aqui fazendo figa para a criatura não cair na alfândega, mas caso aconteça, espero que o fiscal leia esse blog e saiba que é tudo pra consumo próprio e não para parar no Mercado Livre. Enquanto o Gelogurte amplia consideravelmente sua coleção, espero que você esteja gostando do novo formato do GABINETE. Finalmente encontrei uma forma relativamente prática de postar minhas resenhas de DVDs e BDs. A idéia é atualizar várias vezes por dia, já que tenho uma quantidade razoável de resenhas acumuladas ou em andamento. Todas terão links diretos para o Submarino, onde você poderá conferir preços e até mesmo adquirir os títulos, comentados ou não, ajudando a apoiar o GABINETE.
As resenhas de cinema continuarão a ser publicadas n’A GALÁXIA. Amanhã de manhã acontece a cabine de O PROCURADO e até o fim de semana publicarei a resenha. O nojento do Gelogurte, como se não bastasse as duas malas, ainda teve a oportunidade de conferir tanto O PROCURADO quanto HELLBOY II nos EUA, mas vou deixar pra ele tecer seus comentários a respeito pessoalmente. Uma criatura como esta só não merece ser completamente exterminada porque dentro das tais malas tem pelo menos uns 2 ou 3 títulos pra mim.
AS LOUCURAS DE DICK E JANE
18 Agosto, 2008
Refilmagem da comédia ADIVINHE QUEM VEM PARA ROUBAR, disponível em DVD, sobre diretor de grande companhia que é despedido após a falência da mesma e, juntamente com a esposa, descobre seu verdadeiro talento: roubar. A produção de AS LOUCURAS DE DICK E JANE (FUN WITH DICK & JANE, EUA, 2005) foi conturbada, com troca de elenco (Téa Leoni substituiu às pressas Cameron Diaz), mudanças no roteiro e estouros de orçamento. Mas acabou rendendo bem nas bilheterias, graças à atualidade do tema – os recentes escândalos financeiros nos EUA, que substitui bem a crise de desemprego dos anos 70, mote do original – e à direção funcional de Dean Parisot, responsável pelo divertido HERÓIS FORA DE ÓRBITA. Parisot consegue, na maior parte do tempo, controlar os excessos de Jim Carrey, e fazê-lo funcionar em função da trama e não ser o centro da mesma. Pena que nem assim a sátira funcione como deveria, apesar de ter seus momentos aqui e ali. Algumas boas piadas só serão entendidas por quem acompanhou as notícias da falência de grandes corporações como a Enron. Faz falta um making of tradicional, mas os comentários de Parisot e da dupla de roteiristas compensam em parte, abordando vários tópicos da produção desde a gênese do projeto até as mudanças realizadas após as exibições-teste. Seis cenas excluídas, e os momentos mais engraçados das entrevistas de divulgação e dos erros de gravação (várias vezes sabotada pelo próprio Carrey) completam o pacote. Todos os extras são legendados.